Da transcrição de uma conversa entre pares à proposta estruturada para defesa interna de contratação — com arquitetura técnica, benefícios, riscos e roteiro de piloto.
Uma equipe de análise de crédito de um banco concorrente desenvolveu uma solução para alimentar dashboards interativos do Claude (Live Artifacts) com dados reais e atualizados diariamente, sem expor informações sensíveis nem infringir políticas de segurança. A arquitetura conecta o data warehouse (Redshift/AWS) ao Redash, que gera endpoints de API consumidos por um script no Google Sheets. O Sheets atualizado alimenta o artefato, e um script adicional controla o acesso via autenticação corporativa Google.
Para a nossa área de Planejamento de Crédito, essa abordagem abre uma janela de oportunidade para criar dashboards exploratórios, análises por score, produto e canal, e materiais para comitês executivos com velocidade e qualidade visual muito superior ao fluxo atual. O Claude não substitui o Power BI como sistema de record — ele atua como camada de prototipagem analítica, exploração rápida e comunicação executiva. A adoção responsável exige validação por TI, Segurança da Informação e Compliance, com uso exclusivo de dados anonimizados ou agregados em ambiente homologado.
A conversa transcrita descreve uma solução engenhosa e relativamente simples. Abaixo, a explicação em linguagem direta do que foi feito e por quê funcionou.
Os Live Artifacts do Claude geram dashboards bonitos e interativos, mas são estáticos — os dados precisam ser inseridos manualmente a cada análise. O desafio era automatizar essa alimentação com dados reais, com segurança e sem reprocessamento manual diário.
Usar o Google Sheets como camada intermediária — uma "ponte" entre o banco de dados da empresa e o artefato do Claude. O Sheets é atualizado automaticamente via script, e o artefato busca os dados de lá. Simples, auditável e controlável.
Um dashboard acessível por link público é um risco de segurança. A solução foi gerar, via Apps Script, um link restrito a usuários autenticados no domínio corporativo Google — e ainda com controle adicional de quem especificamente pode acessar.
O time descobriu que o Claude Design gera templates visuais de alta qualidade, que podem ser exportados e refinados no Claude Code ou no workspace. Isso separa o trabalho de design do trabalho de dados, melhorando ambos.
Onde vivem os dados brutos de propostas, contratos, scores, produtos e canais. É a fonte de verdade da operação de crédito.
AWS RedshiftFerramenta que conecta no Redshift e permite criar queries SQL. Cada query vira um endpoint (API REST) que retorna os dados em formato estruturado (JSON). É como transformar uma consulta em banco num link que qualquer sistema pode chamar.
API REST / EndpointUm script agendado (ex: todo dia às 7h) chama o endpoint do Redash e popula automaticamente uma planilha no Google Sheets com os dados atualizados. Zero intervenção manual.
Google Apps ScriptAgendadoFunciona como uma "vitrine controlada" dos dados: contém apenas os indicadores necessários para o dashboard, sem expor dados sensíveis ou o banco original. Pode armazenar dados já agregados e anonimizados.
Dados AgregadosAuditávelOutro script no Apps Script gera um link seguro para o dashboard. O acesso exige autenticação Google corporativa (@empresa.com.br) e permite restringir quais usuários ou grupos podem visualizar — funciona como uma camada de IAM simples.
Auth GoogleAllowlist por usuárioO artefato do Claude é construído para buscar os dados do Sheets via link autenticado. O resultado é um dashboard com visual moderno, interativo, atualizado diariamente, acessível apenas por usuários autorizados. Templates de layout gerados no Claude Design garantem identidade visual consistente.
Live ArtifactClaude Design + Claude CodeDe horas para minutos na criação de análises por score, produto, canal e faixa de aprovação — sem depender de fila de BI.
Testa hipóteses visuais antes de industrializar no Power BI. Reduz retrabalho nas solicitações de BI.
Transforma dados de portfólio em narrativas analíticas estruturadas, com visual executivo, direto do Claude.
Scripts e artefatos reutilizáveis para análises mensais de aprovação, conversão e inadimplência por produto.
Políticas de crédito, critérios de scoring e regras operacionais documentadas em padrão profissional, rapidamente.
Para análises exploratórias e comunicações internas, o Claude pode ser usado diretamente — preservando o Power BI para entregas oficiais.
Distribuição de score, correlações, análises de safra, estudos de comportamento de portfólio — com suporte direto na interpretação e visualização.
Transforma indicadores técnicos em linguagem de negócio clara e acionável para apresentações à liderança.
Nunca inserir no Claude dados individuais, CPFs, contratos nominais ou qualquer dado que permita identificação. Usar apenas métricas consolidadas: taxa de aprovação, volume por faixa de score, conversão por produto.
O banco de dados real nunca é acessado diretamente pelo Claude. O Google Sheets funciona como buffer controlado, alimentado por scripts auditáveis e com acesso restrito por autenticação corporativa.
Scripts de controle definem uma lista de usuários autorizados por e-mail corporativo. Nenhum dashboard fica público ou com link aberto. Logs de acesso são mantidos para auditoria.
Antes da adoção ampla, o piloto é estruturado como projeto formal com escopo restrito, aprovado pelas áreas de segurança. A documentação do fluxo de dados é entregue para análise e aprovação.
Apresentar o gap atual: volume crescente de análises, múltiplos produtos e canais, e a pressão para entregar mais rápido com menos recursos. Contextualizar sem criticar ferramentas existentes.
Compartilhar (sem revelar a empresa) o caso real da transcrição. Mostrar que a solução existe, funciona e foi validada em ambiente similar ao nosso.
Explicar brevemente o que é um Live Artifact, a diferença do Claude para outras ferramentas, e por que ele é relevante para análise analítica — sem promessa exagerada.
Apresentar o fluxo técnico de forma simples: Redshift → Redash → Sheets → Artefato. Mostrar que os dados nunca saem sem controle e que o acesso é gerenciado.
Listar 5 a 6 aplicações concretas: análise de conversão por score, estudos de safra, materiais para comitê, documentação de políticas. Mostrar um exemplo visual se possível.
Slide estratégico: deixar claro que o Claude é para prototipagem, exploração e comunicação executiva. O Power BI continua como sistema oficial para relatórios de gestão e auditoria.
Antecipar as preocupações de TI, SI e Compliance. Mostrar que o modelo proposto inclui dados anonimizados, controle de acesso, auditabilidade e processo de homologação.
Escopo restrito, equipe reduzida, casos de uso definidos, métricas de sucesso claras. Mostrar que não é um projeto de risco — é um experimento controlado com critérios de avaliação objetivos.
Não prometer economia. Apresentar hipóteses mensuráveis: redução de horas em análises exploratórias, número de protótipos gerados, velocidade de entrega de materiais para comitê.
Call to action claro: aprovação do piloto, definição do grupo de trabalho (TI, SI, Crédito), cronograma, e métricas de avaliação ao final dos 60 dias.
Use esses argumentos para diferentes audiências: Diretoria, TI, Segurança da Informação, Área de Crédito e BI.
Argumento de velocidade: O tempo entre uma pergunta de negócio e uma análise visual cai de dias para horas. Em crédito, onde a janela para decidir é curta, isso tem impacto direto na qualidade das decisões.
Argumento de custo de oportunidade: Cada hora de um analista sênior gasta formatando planilhas ou esperando fila de BI é uma hora não dedicada a análise real. O Claude libera essa capacidade.
Argumento de benchmarking: Instituições financeiras concorrentes já estão usando essa tecnologia em produção. Não adotar é uma desvantagem competitiva em velocidade analítica.
Argumento de preservação do BI: O Claude não compete com o Power BI — ele reduz o volume de solicitações de baixo valor para o time de BI, que pode focar nas entregas de maior complexidade e impacto.
Argumento de comunicação executiva: Comitês de crédito exigem materiais claros, visuais e objetivos. O Claude acelera a produção desses materiais sem comprometer a qualidade.
Argumento de risco controlado: O piloto proposto é de escopo restrito, com dados anonimizados e validação prévia das áreas de controle. O risco real é baixo e mapeado.
O argumento mais seguro politicamente para defender essa contratação não é "economizar com Power BI". É posicionar o Claude como camada de prototipagem analítica, exploração rápida e comunicação executiva — reduzindo retrabalho e acelerando estudos antes da industrialização no BI oficial. Essa abordagem remove resistência de TI e BI, antecipa objeções de segurança e cria um caminho de aprovação muito mais fluido. Piloto controlado, escopo restrito, métricas claras — essa é a fórmula para aprovação em ambientes conservadores.